28 Outubro 2009

Solidariedade com as 11 pessoas detidas na manifestação anti-autoritária contra o fascismo e o capitalismo de 25 de Abril de 2007



No próximo dia 7 de Dezembro de 2009, inicia-se em Lisboa o julgamento do processo instaurado pelo Ministério Público contra as onze pessoas detidas aquando do ataque policial contra a manifestação anti-autoritária contra o fascismo e o capitalismo em 25 de Abril de 2007. Estas onze pessoas são acusadas de “agressão, injúria agravada e desobediência civil” e merecem toda a nossa solidariedade.

Recordemos os factos:

Em 2007, o incremento da força social e política da extrema-direita em Portugal alarmou muitas pessoas. Para além do crescimento numérico dos skins nazis, das suas intimidações e do peso mediático do partido de extrema-direita PNR, recordamos a polémica em torno da criação do museu em homenagem a Salazar em Santa Comba Dão e a eleição deste mesmo ditador como “maior português de sempre” num concurso televisivo.

Todo este ambiente motivou a convocatória de uma manifestação para o dia 25 de Abril de 2007, cuja mensagem era clara: contra o fascismo, mas também contra o capitalismo e contra toda a autoridade.

A manifestação teve início às 18 horas quando finalizava o habitual cortejo comemorativo do 25 de Abril de 1974, protagonizado por sindicatos, partidos e associações de esquerda na Avenida da Liberdade. Algumas centenas de pessoas concentraram-se na Praça da Figueira e arrancaram em direcção ao Chiado com dezenas de bandeiras negras e várias faixas.

Na faixa que encabeçava a manifestação lia-se “Desmascarar a democracia/Atacar o fascismo/Combater a autoridade/Defender a liberdade”; noutra podia ler-se “Racismo é ignorância/A nossa pátria é o mundo inteiro”.

Quando entrou na Rua do Carmo, a manifestação contava certamente com mais de 500 pessoas, de tal forma que as caras dos companheiros anarquistas se perdiam numa imensa maioria de desconhecidos. O ambiente era formidável. Ainda na rua do Carmo cantou-se a “Grândola, vila morena” do cantor antifascista Zeca Afonso, cujos versos “Terra da fraternidade / O povo é quem mais ordena / Dentro de ti, ó cidade” ganharam verdadeiro significado, ecoando estrondosamente numa das zonas mais aburguesadas de Lisboa.

Alarmada perante o conteúdo desta manifestação, consequentemente anti-autoritário e anticapitalista, a polícia não pôde fazer mais, no entanto, face à adesão popular à mesma, do que seguir o seu trajecto.

O percurso terminou no Largo de Camões, que foi ocupado por centenas de manifestantes.

Um grupo de 150 manifestantes, animado pelo sucesso da manifestação, cometeu a imprudência de voltar a descer o Chiado em direcção ao Rossio. Quando se encontravam na Rua do Carmo, o Corpo de Intervenção da Polícia de Segurança Pública (PSP) e vários polícias à paisana cortaram a via de ambos os lados e, sem qualquer aviso prévio ou ordem de dispersão, começaram a carregar sobre os manifestantes. Não houve qualquer intenção de dispersar a manifestação, pelo contrário, a polícia quis atacar e espancar os manifestantes. Os que caíram no chão continuaram a ser brutalmente golpeados, à bastonada e ao pontapé. Outros foram perseguidos pelas ruas limítrofes e nem meros transeuntes ou turistas escaparam à violência policial.

Um contingente de mercenários do Estado tomou de assalto as ruas da Baixa, no dia em que simbolicamente se comemorava a queda da ditadura fascista em Portugal. Certamente, para não restarem dúvidas sobre a verdadeira face da democracia.

Para justificar a brutal actuação da polícia neste dia simbólico, ilegal segundo as próprias leis do Estado, o Comando da PSP orquestrou uma campanha de desinformação através dos meios de comunicação social, divulgando falsas informações sobre perigosos radicais armados com paus e barras de ferro (as hastes das bandeiras), que teriam agredido transeuntes (os únicos que tal fizeram foram os polícias) e se preparariam para incendiar as lojas da Baixa com cocktails molotov, o que só não teria acontecido devido à pronta intervenção da polícia, que teria seguido, como sempre, os princípios da “legalidade, proporcionalidade e adequação”.

Onze manifestantes foram detidos durante a carga policial e são agora acusados de agressões e injúrias contra os mesmos polícias que, na verdade, os agrediram.

Apelamos à solidariedade com estas onze pessoas face à farsa judicial que, em Dezembro, terá lugar no Tribunal do Parque das Nações, em Lisboa.

27 Outubro 2009

Liberdade para os Anarco-Sindicalistas Sérvios


No início de Setembro foram detidos seis membros e colaboradores da ASI (Iniciativa Anarco-sindicalista, secção sérvia da Associação Internacional dos Trabalhadores), acusados de envolvimento num ataque com cocktails molotov à Embaixada Grega em Belgrado, a 25 de Agosto, em solidariedade com o anarquista Theodoros Iliopoulos, que foi detido nas revoltas de Dezembro na Grécia e esteve em greve de fome durante 49 dias.

O ataque à embaixada, que causou danos insignificantes (uma racha numa janela e uma pequena marca de queimadura na fachada, sendo também pintado um graffiti), foi assumido pelo grupo anarquista ‘Crni Ilija’ e pelo menos um dos detidos – Ratibor Trivunac – negou publicamente o seu envolvimento, quando surgiram nos media as primeiras notícias incriminatórias. Contudo, a justiça sérvia classificou a acção como “terrorismo internacional” (o que pode dar uma pena de prisão de 3 a 15 anos!) e apressou-se a deter estes companheiros: Ratibor Trivunac, Tadej Kurep, Ivan Vulović, Sanja Dojkić, Nikola Mitrovic e Ivan Savić.

A detenção dos companheiros da ASI faz parte de uma série de outros ataques repressivos aos membros desta organização (e inclusive aos seus familiares), que têm sido alvo de constantes ameaças da polícia, perseguições e prisões. Na verdade, integra-se numa vaga de repressão promovida pelos Estados, segundo fórmulas cada vez mais harmonizadas e coordenadas, para, com o pretexto do “anti-terrorismo”, travar a emergência de lutas sociais emancipatórias e a expansão da solidariedade entre essas lutas.

Logo após o ataque contra a Embaixada da Grécia em Belgrado, o presidente sérvio Boris Tadic apressou-se a pedir desculpas ao embaixador grego (a Grécia é o principal investidor da economia sérvia) assegurando-lhe que “o Estado sérvio faria tudo o que fosse possível para identificar e punir adequadamente os responsáveis pelo ataque”. Na verdade, esta declaração significava que encontrariam bodes expiatórios a todo o custo, e os companheiros da ASI, que têm vindo a trabalhar activa e publicamente pela auto-organização das lutas sociais em crescendo nos Balcãs, tornaram-se os alvos ideais.

Aos líderes políticos e capitalistas sérvios interessa promover o nacionalismo e o chauvinismo, desincentivando a união para além das fronteiras daqueles que por eles são explorados e oprimidos. Lembremos que, em Fevereiro de 2008, após a declaração de independência do Kosovo, a Embaixada dos EUA foi incendiada por nacionalistas sérvios, sem que estes tenham sido acusados de “terrorismo”. Lembremos também que, já em Setembro deste ano, activistas do movimento LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgéneros) foram impedidos de realizar uma marcha em Belgrado, com as autoridades a comunicaram-lhes que não só não garantiriam a segurança dos participantes, como os responsabilizariam por todos os danos causados, inclusive por grupos fascistas que os atacassem. É este mesmo Estado nacionalista e pró-fascista que acusa de “terrorismo” os nossos companheiros.

Neste contexto, pouco interessa se os companheiros detidos na Sérvia são “culpados” ou “inocentes”. Acreditamos, tal como fizeram notar alguns anarquistas gregos numa declaração de solidariedade que “as lutas sociais não são legais nem ilegais: são justas”.

As manifestações de solidariedade com os companheiros sérvios vêm-se sucedendo em todo o mundo. Já se realizaram concentrações, manifestações e outros protestos, pelo menos, em Varsóvia (Polónia), Bratislava (Eslováquia), Viena (Áustria), Praga (República Checa), Ljubljana (Eslovénia), Zagreb (Croácia), Sydney (Austrália), Londres (Inglaterra), Moscovo e São Petersburgo (Rússia), Kiev (Ucrânia), Atenas, Tessalónica e Komotini (Grécia), Hamburgo, Berlim e Frankfurt (Alemanha), Denver (EUA), Sófia (Bulgária), Haia (Holanda), Skopje (Macedónia), Berna (Suíça), Madrid (Espanha) e Paris (França). Em Lisboa, no dia 7 de Setembro, uma delegação da Secção Portuguesa da AIT deslocou-se à Embaixada da Sérvia, onde entregou uma carta de protesto, e, posteriormente, foram colados cartazes de solidariedade nas imediações da Embaixada.

No início de Outubro, após um mês de detenção, o juiz encarregue do caso ordenou o prolongamento da prisão dos companheiros por mais um mês, enquanto “prosseguem as investigações”.

É, portanto, muito importante, que continuemos a solidarizar-nos com os “6 de Belgrado”, porque um ataque a um anarco-sindicalista é um ataque a todos os explorados que lutam.

LIBERDADE IMEDIATA PARA OS COMPANHEIROS DETIDOS NA SÉRVIA!

Mais informação:

Petições online:

23 Outubro 2009

Apoiemos António Ferreira de Jesus, esmagado pelas garras do sistema prisional!

Informação sobre a situação de António Ferreira de Jesus e questionário a enviar às Instituições com poder para pôr fim às manobras para destruir este indivíduo.

António Ferreira de Jesus, nascido em 1940, num meio familiar economicamente pobre, inconformado com as desigualdades sociais a que estava submetido, pôs em prática a sua rebeldia e foi preso pela primera vez com 17 anos de idade. Leva cumpridos na prisão mais de 45 anos da sua vida, repartidos por três estadias. Autodidacta, de posição firme no que respeita à defesa dos direitos dos presos, António Ferreira é também uma referência para os companheiros que não se deixam degradar pelo sistema, que não se deixam afundar no lodaçal das drogas e do seu tráfico, para os que não se vendem, para os que mantêm a sua dignidade. Por isso mesmo não beneficia de nenhuma das regalias prisionais, regalias que estão à mão de semear para qualquer preso que colabore com o sistema prisional ou tenha dinheiro (ou amigos bem instalados), por muito hediondo que seja o crime que os tenha levado à prisão do ponto de vista social. Apesar de não ter assassinado, nem violado... ninguém, não beneficiou até agora de nenhuma medida de "reinserção social", saídas precárias ou outras quaisquer, passados 15 anos desde a sua última entrada na prisão. Foi ameaçado de morte por parte de membros da instituição prisional, depois de ter denunciado perante os tribunais vários crimes e ilegalidades praticadas por membros do corpo de guardas e serviços prisionais. Apesar de reunir todos os requisitos para a Liberdade Condicional, esta continua a ser-lhe negada. A última vez que foi proposto para a Liberdade Condicional, foi-lhe prometido que o parecer do conselho técnico lhe seria favorável. Posteriormente, verificou-se que o parecer foi desfavorável por unanimidade. A última decisão do indeferimento à Liberdade Condicional é a reprodução exacta do primeiro indeferimento, no qual, pidescamente, faz referência às convicções políticas do recluso como indicador negativo do seu processo de “reinserção” social. O sistema prisional e judicial alimenta-lhe ilusões de liberdades condicionais, que nunca desaguam, talvez com o objectivo escondido de que o A.F. finalmente desespere e se pendure (ou criando o cenário, para que o seu "suicídio" esteja de antemão explicado, se finalmente se decidem a pendurá-lo).

Como pessoa que nunca deixou de reivindicar os seus direitos e convicções, que nunca se deixou amordaçar e que sempre manteve uma atitude combativa dentro da prisão, António sofreu um tratamento discriminatório por parte de todo o aparelho judicial. No seu caso, o cúmulo jurídico não lhe abrangeu todas as penas deixando-o numa situação equivalente a uma condenação perpétua; por sua vez, o juiz da execução de penas, “interpretando” as leis à sua própria maneira, leva a que o António continue a cumprir uma perpétua encapotada (se a lei lhe fosse aplicada de acordo com o que está estipulado, deveria estar em liberdade há mais de 6 anos).

Actualmente, depois de ter passado os últimos 15 anos pelos Estabelecimentos Prisionais de Vale de Judeus, Coimbra, Linhó, Hospital Prisional de Caxias e Paços de Ferreira, António Ferreira de Jesus encontra-se encarcerado no E.P. de Pinheiro da Cruz.

Na noite de 28 de Setembro de 2009, foi submetido à prisão dentro da prisão, ou seja, ao regime 111º, separado de toda a população prisional e a partir desse momento entrou em luta. As primeiras notícias que chegaram àqueles que o vêm apoiando fora dos muros da prisão, veiculadas por companheiros seus de reclusão, davam conta de que o António Ferreira tinha sido arrastado, sem resistência sua, para fora da ala onde estava confinado e se tinha declarado em greve de fome, de sede e de silêncio.

Nos dias seguintes várias das pessoas que habitualmente o visitam deslocaram-se a Pinheiro da Cruz e foram impedidas de o ver, não lhes sendo fornecida nenhuma informação a seu respeito, nem explicação para o impedimento à visita. Uma campanha internacional de denúncia da situação foi entretanto desenvolvida e uma concentração de apoio e solidariedade foi realizada no sábado, 10 de Outubro, em frente ao E.P. de Pinheiro da Cruz. Finalmente, no dia 12 de Outubro, o seu advogado deslocou-se ali e teve contacto directo com o António Ferreira, na cela do Pavilhão de Segurança onde se encontra recluído. Dele ficámos a saber que o António encontra-se no pavilhão de segurança, isolado de toda a gente, sem qualquer objecto pessoal, fechado numa cela de reduzidas dimensões, apenas com 1 hora de "pátio", num buraco mais pequeno que a própria cela e com uma grade no topo.

Desde a sua transferência à força para este pavilhão que António iniciou um protesto que a prisão tentou encobrir. Só agora, através da visita do advogado, confirmámos que ele nunca esteve em greve de sede e que começou a comer no dia 12 de Outubro, por razões de saúde. Tinha já debilidades e dores no aparelho digestivo. António Ferreira de Jesús fez saber que não pretende ceder nas suas reivindicações quanto às celas onde o querem pôr e, portanto, insiste na transferência para outro estabelecimento prisional.

Solidários/as com a luta pela dignidade humana!


Fim à perseguição movida ao António Ferreira e solução rápida para a situação em que ele se encontra!

* * * * *

Apelamos ao envio por fax ou e-mail do questionário seguinte, às direcções indicadas, e o reenvio desta mensagem para quem entenderem, bem assim como qualquer outra iniciativa que queiram tomar de interesse pela situação do António Ferreira e da sua solução.


Carta a enviar:

19/10/2009

Amigos do António Ferreira de Jesus, preso no Estabelecimento Prisional de Pinheiro da Cruz, colectivos sociais e outras individualidades profundamente preocupadas e indignadas com o que se está a passar sobre a pessoa do António, decidem questionar as autoridades nos pontos seguintes:
1- Desde a data 28/09/2009 que o António Ferreira de Jesus se encontra submetido a “medidas especiais de segurança”, separado de toda a população prisional, com recreio de uma hora diária, num reduzido espaço, mais pequeno do que a cela em que o têm armazenado, vedado com uma grade no topo, tipo galinheiro, emparedado em vida, a falar com as moscas.
1.1- Com que fundamento, face à lei, foi o António submetido a “medidas especiais de segurança?”
1.2- Qual o nº da Ordem de Serviço onde foram publicadas as medidas aplicadas ao António?
2- O António encontra-se sem rádio, sem televisão, sem livros, sem papel e sem caneta para escrever e comunicar.
2.1- Com que fundamento se encontra o António privado destes objectos?
3- Desde que o António se encontra no citado regime, que já por várias vezes, visitantes regulares do António, foram impedidos de o visitar alegando os funcionários de serviço que não constava pedido algum por parte do António para as respectivas visitas.
3.1- O António encontra-se obrigado a solicitar de novo à direcção da cadeia (E. P. de Pinheiro da Cruz) autorização para receber visitas das pessoas devidamente autorizadas que anteriormente à data de 28 de Setembro de 2009 já recebia com regularidade.
3.2- Não tendo o António mudado de Estabelecimento Prisional, a que propósito tem que fazer novo pedido de visitas?
3.3- Não tendo o António nenhum objecto na cela, nomeadamente caneta, papel e respectivos impressos, como poderá fazer dito pedido?
3.4- Ora, se o António não tem nenhum objecto na cela, entre outros, a lista dos nomes completos dos seus visitantes, o António vê-se obrigado a recordá-los. Na eventualidade de um guarda ou outro funcionário lhe facilitar o respectivo impresso e uma caneta, se não conseguir recordar-se dos nomes completos, como poderá o António fazer o supracitado pedido?
3.5- Em nenhuma parte do artigo 111º do Decreto-Lei nº 265/79 de 1 de Agosto consta tal exigência!
4- O António entrou em greve de fome na data 28/09/2009 tendo suspendido a mesma, por motivos de saúde, na data 12/10/2009.
Esta greve de 14 dias foi para protestar contra as “medidas de segurança” a que foi submetido e para reivindicar a sua transferência para outra prisão.
4.1- Por que é que a direcção da cadeia sempre ocultou que o António se encontrava em greve de fome entre a data 28/09/2009 e 12/10/2009 cada vez que os seus amigos e advogado tentaram oficialmente informar-se?
4.2- Que interesses obscuros movem a direcção da cadeia para ter ocultado a dita greve de fome e terem o António submetido ao ostracismo, isolamento e silêncio?
4.3- Profundamente alarmados com as barbaridades praticadas sobre o António, exigimos a sua imediata transferência para o E. P. de Izeda, de acordo com a sua pretensão, antes que esta tragédia se torne irremediável, ou seja, antes que apareça (estranhamente ou não) enforcado como tristemente é praxe habitual, conforme escandalosamente revela o obituário prisional cada ano que passa!...

Solidários/as com a luta pela defesa da dignidade humana!


Moradas:

Presidente da Assembleia da República
Palácio de S. Bento
1249-068 LISBOA
Fax : (00351) 213917434/26

Presidente da Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias da Assembleia da República
Palácio de São Bento
1249-068 Lisboa (Portugal)
Fax: (00351) 213917478

Inspecção-Geral dos Serviços de Justiça
Rua da Madalena, nº273
1149-007 Lisboa (Portugal)
Fax: (00351) 218861534
Email: correioigsj@mail.igsj.mj.pt

Grupos Parlamentares da Assembleia da República
Palácio de São Bento
1249-068 Lisboa (Portugal)
Fax: (00351) 213917478

Ministro da Justiça
Ministério da Justiça
ministro@mj.gov.pt
Fax: (00351) 213468031

Presidente da comissão de Direitos Humanos da
Ordem dos Advogados
Largo de São Domingos, 14 - 1º
1169-060 Lisboa (Portugal)
FAX: (00351) 21 886 24 03
Email: cons.geral@cg.oa.pt

Presidente da República
Palácio de Belém
Calçada da Ajuda
1349-022 Lisboa (Portugal)
Telefax: (+351) 21 363 66 03
Correio electrónico: belem@presidencia.pt

PROCURADORIA-GERAL DA REPÚBLICA
Rua da Escola Politécnica, 140
1269-269 Lisboa - Portugal
Fax:00351 213975255
E-mail: mailpgr@pgr.pt

Provedoria de Justiça
provedor@provedor-jus.pt
Morada: Rua Pau de Bandeira, 9
1249-088 LISBOA (PORTUGAL)
Fax: (+351)213961243

Provedor de Justiça Europeu
1 Avenue du Président Robert Schuman
CS 30403
FR - 67001 Strasbourg Cedex
Fax: +33 (0)3 88 17 90 62

Directora-Geral
Direcção-Geral dos Serviços Prisionais
Travessa da Cruz do Torel, nº1 1150-122 Lisboa (PORTUGAL)
Fax: (00351) 218 853 653
Correio electrónico: dirgeral@dgsp.mj.pt
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14 Setembro 2009

Boletim Anarco-Sindicalista nº 33 - Setembro-Outubro 2009



Boletim Anarco-Sindicalista nº33 (em PDF):
- versão para leitura (A4, 800 Kb)



Alguns artigos neste número:

- Detenção de anarco-sindicalistas na Sérvia acusados de terrorismo internacional
- Autoeuropa: os trabalhadores entregues... às «flutuações do mercado»
- Termina o julgamento dos 25 de Caxias: Absolvição geral
- Subempreiteiros de construção civil exploram trabalhadores brasileiros e portugueses
- Galiza: Mobilização exemplar dos trabalhadores metalúrgicos
- Trabalho Escravo e Terrorismo
- A FORA-AIT e a autogestão operária na Argentina
- Coreia do Sul: Trabalhadores fazem greve e ocupam fábrica durante 77 dias
- Repressão Estatal na Rússia
- França: Trabalhadores ameaçam fazer explodir fábricas

04 Setembro 2009

DETENÇÃO DE ANARCO-SINDICALISTAS NA SÉRVIA ACUSADOS DE TERRORISMO INTERNACIONAL

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No dia 3 de Setembro, foram detidos vários membros da ASI (Iniciativa Anarco-sindicalista) - a secção Sérvia da Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT) - acusados de envolvimento no ataque com cocktails molotov à Embaixada Grega em Belgrado, a 25 de Agosto, em solidariedade com o anarquista Theodoros Iliopoulos, que foi detido nas revoltas de Dezembro na Grécia e esteve em greve de fome durante 49 dias. Até ao momento, está confirmada a prisão de Ratibor Trivunac, Tadej Kurep, Ivan Vulović, Sanja Dojkić e Nikola Mitrovic mas há ainda a possibilidade de detenção de um sexto companheiro, Ivan Savić.

O ataque à embaixada que causou danos insignificantes (uma racha numa janela e uma pequena marca de queimadura na fachada, sendo também pintado um graffiti) foi assumido pelo grupo anarquista ‘Crni Ilija’ e pelo menos um dos detidos – Ratibor Trivunac – negou publicamente o seu envolvimento, quando surgiram nos media as primeiras notícias incriminatórias. Contudo, a justiça sérvia classificou a acção como “terrorismo internacional” (o que pode dar pena de prisão de 3 a 15 anos!) e apressou-se a deter estes membros da ASI, que deverão ser mantidos na prisão durante um mês, enquanto se “organiza” o processo judicial.

A detenção dos companheiros da ASI faz parte de uma série de outros ataques repressivos aos membros desta organização (e inclusive aos seus familiares), que têm sido alvo de constantes ameaças da polícia, perseguições e prisões, como, por exemplo, a detenção de Ratibor Trivunac em Maio deste ano, durante a participação num protesto contra a visita de Josep Biden, vice-presidente dos Estados Unidos. É óbvio que esta farsa judicial é mais uma tentativa do Estado Sérvio de silenciar qualquer voz de protesto, tentando aniquilar a todo o custo os movimentos sociais que incomodam cada vez mais os detentores do poder. Sejamos solidários com os companheiros detidos, demonstrando vivamente que nenhuma forma de repressão irá parar a nossa luta!

LIBERDADE IMEDIATA PARA @S COMPANHEIR@S DETID@S NA SÉRVIA!



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16 Agosto 2009

SUBEMPREITEIROS DE CONSTRUÇÃO CIVIL EXPLORAM TRABALHADORES BRASILEIROS E PORTUGUESES

Na Corunha e em Vigo, empresas como a JAI-AND/UNIPESSOAL, uma empresa de trabalho temporário de Vizela, têm recrutado trabalhadores no Porto e arredores para empreitadas de construção civil e obras públicas (como o "polígono industrial de Bueu", em VIGO e outras obras, perto do Carrefour da CORUNHA) onde estes trabalham e não são pagos. A alguns destes trabalhadores - com jornadas de trabalho entre 9 e 10 horas por dia - a empresa deve entre 60 a 15 dias de trabalho, desde o início de Maio.

Inicialmente foram-lhes prometidos salários de 5 a 7 euros/hora e até agora nenhum recebeu, tendo por esse motivo alguns abandonado o trabalho até que a empresa lhes pague o que lhes deve. Porém, a situação vai-se agravando, continuando alguns brasileiros e portugueses a trabalhar nas duas obras apenas a troco de comida.

Os trabalhadores também se queixam de serem geralmente transportados pela empresa em veículos bastante degradados e sujeitos a acidentes, bem como de a empresa não dispor da ferramenta necessária à execução dos vários serviços.

APELA-SE à ACÇÃO DIRECTA DE RESISTÊNCIA E PROTESTO DOS TRABALHADORES PRECÁRIOS E SUAS ORGANIZAÇÕES, TANTO NA GALIZA COMO EM PORTUGAL, JÁ QUE PARA ESTES EXPLORADORES A "CRISE" É DOCE...

(ATENTE-SE SÓ NA VIVENDA DA FAMÍLIA E NOS "CARRÕES" DE QUE ESTES PATRÕES DISPÕEM EM VIZELA, próximo à estação da CP...)
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"IPSS" BURLONA NÃO PAGA TRABALHO DE 8 IMIGRANTES NEM DE FUNCIONÁRIOS


No passado ano de 2008, em Julho, oito trabalhadores precários, a maioria imigrantes brasileiros, foram "recrutados" pela "empresa" "ENGER ESP-CONSTRUÇÕES", para obras na pseudo-IPSS ("ROSA SUAVE", Lar de idosos unipessoal, Lda), na rua Guerra Junqueiro, Nº500, na zona da Boavista, no Porto.

Passados mais de dois meses a responsável pela direcção daquela "IPSS","Drª Margarida", apenas tinha pago ao empreiteiro um mês de trabalho, tendo desde aí vindo a esquivar-se ao pagamento do resto do tempo devido - ficando por isso também os oito trabalhadores imigrantes sem receber o montante referente a mais de mês e meio de trabalho (o último pagamento foi feito em Setembro de 2008).

Em paralelo, aquela "IPSS" deve também salários em atraso a outros funcionários da sua própria estrutura - que entretanto também lhe puseram um processo no tribunal de trabalho.

A tal "Drª Margarida" tem-se esquivado ao contacto do empreiteiro, também ele brasileiro (como os trabalhadores a quem continua a dever salários, por conta do não pagamento da "IPSS"), jogando com o facto de alguns deles não terem ainda "regularizada" a sua situação de imigração e temerem represálias por isso.

DIANTE DA MAFIOSICE DE "INSTITUIÇÕES PARTICULARES DE SOLIDARIEDADE SOCIAL" COMO ESTA É PRECISO QUE DEIXEMOS CLARO QUE OS COMPANHEIROS IMIGRANTES NÃO ESTÃO SÓS!
SOLIDARIEDADE E RESISTÊNCIA!
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22 Junho 2009

Boletim Anarco-Sindicalista nº 32 - Junho-Julho-Agosto 2009


19 Junho 2009

Massacre no Perú


Depois da assinatura do Tratado de Livre Comércio (TLC) com os Estados Unidos, o governo do Perú aprovou em 2008 várias leis que facilitam a implementação de companhias petrolíferas, de gás, mineiras, turísticas, madeireiras, entre outras, em cerca de 60% das terras da Amazónia, para explorarem livremente os seus recursos. São exemplos destas empresas, a Perenco (França), a Petrobas (Brasil), a BPZ Energy (Estados Unidos), a Repsol (Espanha), etc.

As comunidades indígenas revoltaram-se de imediato contra estas leis que não só conduzirão à expropriação das suas terras como à própria destruição da Amazónia e desde Abril deste ano que os protestos se intensificaram, com o bloqueio pelas populações de alguns pontos estratégicos: diversas estradas, um porto fluvial, um pequeno aeródromo, etc. A 5 de Junho, durante um desses bloqueios, numa estrada da cidade de Bagua, a Norte do Perú, as tropas e polícias peruanas, com o aval de Alan García, presidente do país, atacaram violentamente os manifestantes, por terra e por ar. Desta repressão feroz do Estado, resultaram mais de 50 mortos, cerca de 150 feridos e 61 pessoas desaparecidas. As fotos destes acontecimentos revelam-nos um autêntico massacre, com corpos torturados, nus, com ferimentos de balas por armas de fogo ou queimaduras. Existem vários relatos de que as forças policiais nem sequer permitiram que as ambulâncias passassem para auxiliar os feridos durante longas horas. Há também o registo de cerca de 133 pessoas detidas, muitas delas sem qualquer acusação formal, sem entenderem verdadeiramente o que se passa porque não compreendem a língua em que lhes falam e sofrendo ainda represálias na prisão.

A repressão perpetuada pelo governo Peruano é a resposta normal de qualquer Estado face a quem se rebela contra o seu poder. Os interesses capitalistas das multinacionais que se querem instalar na Amazónia estão acima das próprias leis peruanas, pois o Estado não se coíbe de violar os seus tratados internacionais – que estabelecem a consulta prévia aos povos da Amazónia, antes de qualquer acção nos seus territórios – utilizando a “economia de mercado” ou o “desenvolvimento económico”, como justificações de todas as suas tiranias, suprimindo qualquer revolta popular.

As populações da Amazónia peruana, habituadas há muitos anos à perseguição estatal, não cruzaram os braços e continuam a lutar pelas suas terras, pela sua cultura e forma de vida. Incendiaram vários edifícios do Estado, sequestraram alguns agentes da polícia e convocaram uma greve nacional por tempo indefinido que está a ter uma grande adesão, com a paralisação de imensos sectores da economia. Houve mais feridos e algumas detenções nos vários protestos que se sucederam em diferentes regiões peruanas, e as comunidades indígenas apelam à solidariedade internacional. Porque a sua luta é também a nossa luta, comecemos desde já a mostrar a nossa solidariedade!

15 Junho 2009

Federação de Estudantes Libertárixs


Panfleto de apresentação em PDF:
http://www.fel-web.org/portugal/panfleto-presenta%C3%A7%C3%A3o.pdf

Site:
http://www.fel-web.org/

A FEL é composta por pessoas que estão organizadas em grupos duma forma livre e estes têm um funcionamento autónomo. Nestes grupos, as decisões são tomadas na assembleia, que é o mais alto órgão decisório de cada grupo. Tanto nos diferentes grupos como a nível federal, as decisões são tomadas por consenso. Deste modo, asseguramos que todas as opiniões e posições são apreciadas e valorizadas de igual modo, e afastamo-nos da politiquice e das lutas internas grupusculares. Temos também de garantir que as decisões de um grupo, ou da federação, são apoiadas por todxs xs envolvidxs.

Os indivíduos que compõem os diferentes grupos que integram a FEL são partidários das ideias anarquistas e comprometem-se a divulgá-las. Além disso, marcam o seu posicionamento contra qualquer opressão de tipo político, económico, cultural, sexual, racial ou militar, ou seja, são totalmente contra o autoritarismo exercido por uma pessoa contra outra, independentemente da área onde ele se manifesta.

Como organização completamente independente, que é a FEL, não aceitamos nenhuma subvenção, venha ela de onde vier. Praticamos a auto-gestão, isto é, os meios materiais e financeiros de que dispomos provêm de contribuições dadas pelos indivíduos que integram cada grupo e/ou de actividades organizadas para os obter, tais como concertos, refeições, distribuição de materiais, etc.

A FEL fixou algumas metas para avançar, passo a passo, na conquista de uma sociedade autogestionária, com base no apoio mútuo, sem necessidade de Estados:

• Incentivar entre xs alunxs a auto-organização autónoma e horizontal.

• Criar espaços de debate e reflexão, tanto nas escolas como fora delas.

• Partindo de uma crítica radical do actual sistema de educação e suas futuras reformas, que condenam o indivíduo à satisfação das necessidades dos sistemas opressores, propomos como alternativa um modelo de aprendizagem anti-autoritário que facilite a construção de um conhecimento integral. Entendemos que este tipo de aprendizagem é uma ferramenta revolucionária não doutrinária, que nos fará avançar no caminho da liberdade.

• Incentivar a abstenção activa na eleição dos órgãos de “governo” das universidades, já que consideramos necessários outros meios de participação reais, horizontais e directos, pois pensamos que as eleições são uma falsa ferramenta de participação, que tem exclusivamente como fim a legitimação do sistema.

• A FEL declara-se anti-praxe. Pensamos que a hierarquia e o controle nunca podem ser o caminho para a formação de pessoas livres e conscientes. Que o único caminho para a liberdade é a prática sem limites desta e nunca a humilhação e o dirigismo. É por isso que temos a intenção de trabalhar contra a praxe até ao seu desaparecimento natural, pois não há nada que a justifique.

• Estabelecer laços entre estudantes libertários para a troca de informações, ideias e experiências, e para nos apoiarmos mutuamente.

• A FEL é contra todo o dogmatismo ideológico, aberta ao debate interno e a novas propostas, já que considera necessária a crítica construtiva para evoluir. Somos conscientes de que não existe uma poção mágica, e que só a prática da liberdade nos fará livres.
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11 Junho 2009

Repressão policial e ataques neonazis na Sérvia


Através da ASI (Iniciativa Anarco-Sindicalista, secção sérvia da AIT), tivemos conhecimento da detenção de companheiros anarquistas e anarco-sindicalistas em protestos contra a visita de Joseph Biden, vice-presidente dos EUA, a Belgrado, em Maio, e de um ataque neonazi contra companheiros antifascistas em Belgrado no dia 9 de Junho.
Para dar conhecimento destes acontecimentos, reproduzimos um artigo sobre as detenções de Maio e de seguida uma tradução de um comunicado da Iniciativa Antifascista de Belgrado sobre os ataques neonazis.

Site da ASI: http://inicijativa.org/tiki/tiki-view_articles.php

Anarco-sindicalistas sérvios detidos em protestos contra os E.U.A

No dia 20 de Maio, por ocasião da visita do vice-presidente dos Estados Unidos da América Joseph Biden a Belgrado, um grupo de anarquistas, entre os quais a ASI (Iniciativa Anarco-Sindicalista, secção sérvia da AIT), organizou um protesto “ilegal” no centro da cidade. Durante a acção, Ratibor Trivunac, membro da ASI e actual secretário-geral da AIT, queimou uma bandeira estadunidense e leu um comunicado condenando o papel dos EUA na reprodução das relações capitalistas, nas guerras, na exploração e discriminação em todo o mundo.
Na sequência desta acção, Ratibor foi detido, presente a um juiz e condenado a 10 dias de prisão. No entanto, foi libertado no dia 22. Neste mesmo dia, após um protesto pela sua libertação no centro de Belgrado, em que foram distribuídas e queimadas bandeiras dos EUA, uma companheira anarquista que leu um comunicado em público foi também detida pela polícia, que agiu com violência contra a resistência dos manifestantes à detenção.

Ataque cobarde de neonazis contra antifascistas em Belgrado

Na noite de 9 de Junho, 15 neonazis atacaram três antifascistas no centro de Belgrado, em frente do cinema “Odeon”. Uma companheira e dois companheiros - A.S., M.P. e R.T. - activos no movimento revolucionário e antifascista, caminhavam na direcção do edifício “Beogradjanka” quando foram atacados pelas costas. Cerca de 15 neonazis, incluindo alguns mascarados, atiraram um grande número de pedras que atingiram os nossos companheiros. Surpreendendo-os, os neonazis conseguiram roubar o saco à companheira A.S. e gazear o companheiro R.T., enquanto atacavam fisicamente dois transeuntes desconhecidos. Mas os nossos companheiros responderam adequadamente, utilizando tudo o que tinham à mão e, alertando a população sobre o que estava a acontecer, conseguiram afastar a escumalha fascista.

Este ataque é apenas mais um de uma longa lista de acções neonazis que têm tido lugar nos últimos dias em Belgrado. Por exemplo, no dia 1 de Junho, um grupo de jovens que regressava de um concerto foi vítima, muito provavelmente, do mesmo grupo. Tudo aponta para que estes ataques sejam resultado da cooperação entre a organização fascista “Obraz” e o grupo nazi ilegal “Nacionalni Stroj” que utiliza como capa legal a organização não-governamental “Novi srpski program” (Novo Programa Sérvio). Trata-se de uma campanha organizada, através da qual grupos fascistas estão a tentar intimidar os habitantes de Belgrado, atacando todos os que possam parecer antifascistas activos.

Não é aceitável que actualmente na Sérvia alguém pretenda seguir as ideias dos nazis da 2º Guerra Mundial. Não toleraremos ataques desta escumalha racista contra antifascistas, ciganos e todas as pessoas que pareçam “indesejáveis” aos seus olhos. Os gangues nazis não permanecerão impunes! De acordo com a nossa tradição libertária, responderemos com uma resistência organizada.

Estamos seguros de que a sociedade dará uma resposta clara a estas tentativas de intimidação e de tomada das ruas pelos neonazis. As ruas pertencem ao povo, não aos gangues fascistas!

Morte ao fascismo!

Iniciativa Antifascista de Belgrado
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25 Maio 2009

30 de Maio - em Almada: ANARCO-SINDICALISMO EM DEBATE com a presença de companheiros da CNT-AIT


ANARCO-SINDICALISMO EM DEBATE

Com a presença de companheiros da CNT-AIT de Jaén (Andaluzia)


Partilha de experiências de membros da secção sindical da CNT (secção da AIT em Espanha) na fábrica de computadores Séneca de Jaén, cujos trabalhadores permanecem em greve há quase três meses em reivindicação de pagamentos em atraso e outros direitos.


30 de Maio – 16h – Centro de Cultura Libertária

Rua Cândido dos Reis, 121, 1º Dto. - Cacilhas - Almada



Trabalho precário: uma nova forma de escravatura

Empresas de Trabalho Temporário: os novos mercadores de escravos

A Conferência anual deste ano da Confederação Internacional das Empresas de Trabalho Temporário vai ter lugar em Lisboa, no Parque das Nações, de 27 a 29 Maio. Ora, o trabalho temporário é um dos exemplos de precariedade laboral que está a aumentar desmedidamente. Em Portugal, os trabalhadores precários são já cerca de milhão e meio, dos quais, quase um terço é “contratado” através de empresas de trabalho temporário. Se adicionarmos os desempregados, os sub-empregados (trabalho parcial), os que estão sujeitos a formas encapotadas de desemprego (“empregados” em acções de formação, com reformas antecipadas, vítimas de rescisões por “acordo mútuo”, etc) e ainda os chamados trabalhadores ilegais, a percentagem de trabalhadores precarizados em Portugal pode ser estimada entre 40 e 50% do total de trabalhadores, o que seguramente nos coloca nos dois ou três primeiros lugares da precariedade na União Europeia.

Os contratos temporários chegam a ser de apenas um mês ou de uma semana, porém, devido ao desemprego e para sobreviver, são muitas as pessoas que se submetem a estas condições, enfrentando um clima de grande instabilidade. Com este tipo de contratação as empresas têm maior facilidade em despedir os trabalhadores, nunca os efectivando e, desta forma, aumentando exponencialmente os seus lucros. Para além de viverem numa incerteza, os trabalhadores são ainda obrigados a aceitar baixos salários pois, na maior parte das vezes, os empregos temporários são conseguidos através de empresas que se dedicam exclusivamente à angariação de pessoal para cederem a outras entidades, apropriando-se de grande parte do ordenado. Só na região de Lisboa e Vale do Tejo, são já cerca de duzentas as empresas de trabalho temporário (tais como a Manpower, a Adecco, a Geserfor, a Select, a Multipessoal, etc.) que se dedicam a comercializar trabalhadores para outras empresas.

As entidades patronais e o Estado, que não é mais do que o defensor das hostes capitalistas, defendem o trabalho temporário e também uma maior flexibilização das leis laborais para, dizem eles, aumentar a “competitividade da economia portuguesa” e diminuir o desemprego. Isto só prova que o papel do Estado é o de beneficiar uma minoria de privilegiados, nem que para isso tenha de escravizar a classe trabalhadora.

Apelamos aos trabalhadores e trabalhadoras a que lutem contra o flagelo e a escravidão agravada que representam o trabalho temporário e a precariedade em geral, sem perder de vista a necessidade de unir as suas forças numa verdadeira luta contra o duplo jugo do Capital e do Estado. Comecemos a organizar-nos para a construção de uma nova sociedade, sem desigualdades sociais, porque a emancipação dos trabalhadores só poderá ser obra dos próprios trabalhadores.


Contra o Estado e o Capital, Revolução Social!
Nem Estado nem patrão! Autogestão!

Associação Internacional d@s Trabalhador@s - Secção Portuguesa
13/Maio/2009
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24 Maio 2009

Revista Apoio Mútuo nº 1






Apoio Mútuo nº 1
Revista teórica e cultural da AIT-SP


Download em PDF (5 Mb)

20 Maio 2009

Feira do Livro Anarquista - 22, 23 e 24 de Maio - Lisboa

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A AIT-SP vai estar presente na Feira do Livro Anarquista, a realizar nos dias 22, 23 e 24 de Maio, na Rua Luz Soriano, nº 67A, no Bairro Alto, em Lisboa:


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18 Maio 2009

Faleceu o companheiro anarquista Edgar Rodrigues



Texto retirado de terraviva.weblog.pt:



FALECIMENTO DE EDGAR RODRIGUES EM 14 DE MAIO

Falecimento do investigador autodidacta e difusor da história social e do anarquismo brasileiro e português, Edgar Rodrigues.


Edgar Rodrigues, nasceu e viveu na Lavra, Matosinhos e morreu no Brasil no passado dia 14 de Maio devido a uma paragem cárdio-respiratória. Tinha 88 anos.

Autor de dezenas de obras e centenas de artigos sobre a história e as ideias anarquistas no Brasil e em Portugal, Edgar foi um importante compilador e difusor da história libertária nos dois países.

Em Portugal, as suas obras sobre a história do movimento operário e libertário, sobretudo as dos anos 80 ,"O despertar operário em Portugal-1834-1911", "Os anarquistas e os sindicatos-1911-1922", "A resistência anarco-sindicalista à ditadura-1922-39" e "A oposição libertária em Portugal-1939-1974", constituíram e constituem um marco importante na recuperação da memória libertária, constantemente branqueada pelas mitologias que transformavam artificialmente o PCP e/ou o PS, sobretudo nos anos da ditadura salazarista, como os principais intervenientes tanto no movimento operário como na resistência à ditadura.

Por todo esse acervo de informação sobre as raízes históricas da rebelião e da resistência operária, popular e libertária, OBRIGADO, Edgar Rodrigues.

J.P.

12 Maio 2009

Uma crónica do 1º de Maio Anticapitalista e Antiautoritário em Lisboa

Uma crónica do Primeiro de Maio Antiautoritário e Anticapitalista em Lisboa, retirada da Rede Libertária:

A partir das 16 horas, várias dezenas de pessoas foram comparecendo no Jardim do Príncipe Real. No local era visível a presença ostensiva de polícias à civil, para além do constante assédio de jornalistas a fotografarem e filmarem, procurando, inutilmente, organizadores e representantes. As pessoas foram chegando e, face ao descrito, umas tapavam a cara, outras não, enquanto vários panfletos iam circulando e a conversa se punha em dia, tentando evitar os ouvidos teleguiados da democrática bufaria.

Pouco antes das 17 horas, havendo já umas cem pessoas no local, foram abertas várias faixas: “Contra a exploração, acção directa!”, “Os bancos roubam-nos a vida. Iremos ao seu assalto!”, “Capitalismo: nem a sua crise nem a sua prosperidade!”, “Consumo, logo existo. Penso, logo esbanjo”.

A manifestação partiu então, cortando o trânsito num sentido e dificultando-o no outro, pela rua D. Pedro V, descendo as ruas de S. Pedro de Alcântara e da Misericórdia. Gritaram-se, em crescendo, frases contra o capitalismo, o Estado, os media e a polícia: “União, acção, insurreição, contra toda a opressão!”, “Nem Estado, nem patrão. Autogestão!”, “A, Anti, Anti-Capitalista!”, “Diário de Notícias: Diário de Polícias”, “Alerta! Alerta! Surto de gripe policial”, “A liberdade está nos nossos corações! Nem prisões, nem bófia, nem pátrias nem patrões”, “Os bancos estão-nos a queimar. Queimemos os bancos”, entre outras.

Entretanto, mais algumas dezenas de pessoas se foram juntando à manifestação. Já na rua Garrett continuou-se a gritar bem alto: “A vossa repressão só nos dá mais paixão!”.

Até ao Chiado a única presença aberta da polícia, para além dos inúmeros agentes à paisana, foi a de um carro patrulha que seguiu a manifestação. A partir do Chiado, um grupo de polícias a pé e em motorizadas esforçou-se por controlar o percurso. Mas em todo o momento a manifestação seguiu o percurso pretendido pelos manifestantes.

Na Rua do Carmo, local do violento ataque da PSP contra a manifestação antiautoritária contra o fascismo e o capitalismo de 25 de Abril de 2007, as gargantas esmeraram-se: “Aqui estamos outra vez, sem medo, sem lei”; “Um povo organizado vive sem Estado”. Algumas lojas fecharam as portas e colocaram seguranças à porta...

Continuou-se até ao Rossio, onde a manifestação contornou a festa da União de Sindicatos Independentes, contrastando as nossas palavras de ordem com a actuação de um rancho folclórico em pleno palco, por certo lembrança de velhos tempos em que se comemorava a “alegria no trabalho”...

A manifestação terminou na Praça da Figueira, após o que os manifestantes foram dispersando.

Para nós, o balanço da manifestação é globalmente positivo. Mais de cem pessoas apareceram e assinalaram um Primeiro de Maio combativo, anti-autoritário e anticapitalista, independente das restantes iniciativas que tiveram lugar na mesma tarde. Isto, apesar das tentativas levadas a cabo pela polícia para, através de uma campanha de intimidação e desinformação por meio de artigos publicados na imprensa, isolar e assustar as pessoas que se identificassem com a convocatória e pudessem aparecer. Não deixa de ser positivo haver mais de cem pessoas que não se deixaram intimidar.

A vossa repressão só nos dá mais paixão!

anónim@s





28 Abril 2009

Boletim Anarco-Sindicalista nº 31 - Abril-Maio 2009


Boletim Anarco-Sindicalista nº31 (em PDF):
- versão para leitura (A4, 1,1 Mb)


Alguns artigos neste número:

- 1º de Maio de 2009: “Lutar contra a crise”? Lutar contra o capitalismo!
- Continua, por todo o país, a vaga de encerramentos, despedimentos, suspensão de contratos de trabalho, falências e insolvências, em fábricas e empresas
- Porto: Iniciativa por um Movimento Popular de Desempregados e Precários
- Manifestação em Lisboa pelos direitos dos imigrantes
- Porto: mais condenações por “manifestação ilegal”
- Começou o julgamento dos “25 de Caxias”
- Grécia: Rumo a um movimento profundo?
- Argentina: Trabalhador@s da fábrica “Disco de Oro” demonstram que não precisam de patrões

1º DE MAIO DE 2009

“LUTAR CONTRA A CRISE”?
LUTAR CONTRA O CAPITALISMO!

A cada dia que passa, a pretexto da crise, mais e mais trabalhadores são atirados para o desemprego (e os que mantêm os seus postos de trabalho vêem a sua situação piorar), com falências e insolvências, muitas delas fraudulentas, de inúmeras empresas, com cortes nos tempos de trabalho e nos salários, suspensões ou “acordos mútuos” de rescisão dos contratos de trabalho, reformas antecipadas “voluntárias” e outros estratagemas baseados nalguma cláusula prevista no Código do Trabalho.

Perante isto, qual tem sido a reacção?

Exceptuando alguns casos em que os trabalhadores recorreram à arma da greve (com ou sem ocupação dos locais de trabalho), ou em que montaram piquetes de vigilância para impedirem a saída de equipamento das empresas, têm delegado a solução dos seus problemas nas negociações que sindicatos e comissões de trabalhadores conduzem com os patrões e esperado que ministros ou autarcas encontrem soluções para a sua situação.

Além disso, têm tomado uma posição defensiva, na crença que, deixando despedir uma parte dos trabalhadores (por exemplo, e para começar, os precários ou os “ilegais”, justamente os que já estão em pior situação) poderão salvaguardar uma parte dos postos de trabalho; ou ainda, aceitando diminuições dos salários, seja através de redução do horário de trabalho com promessas de recuperação no futuro, seja por transformação das horas extra em horas normais, seja por supressão ou redução de vários tipos de subsídios e prémios de produção não incluídos no salário base.

Quanto a nós, anarco-sindicalistas, NADA pode substituir a acção dos próprios trabalhadores na defesa dos seus interesses, auto-organizando-se para manter e melhorar as suas condições de vida, sem delegar em ninguém a capacidade de decidir aquilo que lhes diz respeito. De facto, a existência de “representantes” permanentes dos trabalhadores faz com que, pouco a pouco, se transformem em “especialistas” e profissionais da luta sindical e adquiram pequenos e grandes privilégios, imediatamente “concedidos” pelos patrões ou consignados nas leis laborais, isto é, deixem de ser trabalhadores como os demais e passem, progressivamente, a defender a sua própria existência e os seus próprios interesses enquanto casta privilegiada, chegando, nalguns casos extremos, a praticamente limitar-se à tarefa de “explicar” aos outros trabalhadores os porquês e os porque nãos das decisões das administrações.

Consideramos, também, a SOLIDARIEDADE uma arma essencial da luta dos trabalhadores, que não podem deixar-se dividir em “fatias” que serão inevitavelmente derrotadas, uma após outra, como se tem visto em tantas empresas e fábricas, e não abdicamos das GREVES DE SOLIDARIEDADE entre diferentes empresas, fábricas, sectores produtivos ou mesmo regiões.

Porém, não podemos iludir-nos quanto à própria natureza do sistema capitalista: ele funciona na base do lucro e da acumulação do capital, baseados no roubo do produto do nosso trabalho, que vai, em seguida, encher os bolsos a capitalistas e financeiros pelo mundo fora, através da especulação bolsista. Foi, aliás, isso o que conduziu à presente crise dos mercados financeiros, porque um esquema de “enriquecimento” contínuo, no qual a “riqueza” cotada em bolsa parecia aumentar indefinidamente à custa de si própria, não poderia durar eternamente – sendo totalmente parasitário, baseado que estava na economia real, na produção real de riqueza, quando esta atingiu o limite esse esquema afundou-se.

Mas os capitalistas e a banca sabiam perfeitamente que isso ia acontecer. Como os Estados e os Governos se apressam, agora, a “socorrê-los”, isto é, a alimentá-los com o dinheiro dos nossos impostos, a crise é mesmo só para nós. É isso que temos que recusar, temos de lutar pela nossa dignidade e pelas nossas condições de vida, bem como da população em geral, mas cientes de que a nossa emancipação da opressão e da exploração a que o Estado e o Capital nos submetem só será plena quando o sistema capitalista e o Estado que o defende e promove forem destruídos e substituídos por um meio social baseado na livre associação dos indivíduos livres e na solidariedade, que promova a igualdade social e no qual não haja lugar para exploradores e explorados, governantes e governados, em suma, sem parasitas nem privilegiados de espécie alguma.

NÃO AOS DESPEDIMENTOS!

CONTRA OS ENCERRAMENTOS DE EMPRESAS E FÁBRICAS, AUTOGESTÃO!

PREPAREMO-NOS PARA UMA GREVE GERAL ACTIVA, COM OCUPAÇÃO DOS LOCAIS DE TRABALHO!

APROVEITEMOS O 1º DE MAIO, NÃO PARA FESTEJARMOS O TRABALHO ASSALARIADO, ISTO É, ESCRAVIZANTE, MAS PARA NOS MANIFESTARMOS CONTRA O CAPITALISMO E O SEU CÃO DE GUARDA, O ESTADO!

Associação Internacional d@s Trabalhador@s -Secção Portuguesa
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26 Abril 2009

1º de Maio Anticapitalista e Anti-autoritário


Manifestação
Jardim Príncipe Real – Lisboa – 16 h



O 1º de Maio evoca aqueles que morreram na luta contra o capital. Desta forma, nunca poderá ser uma celebração. Por outro lado, em circunstância alguma se deverá homenagear uma das suas formas de escravatura: o trabalho ou o estatuto de trabalhador nos moldes de uma sociedade capitalista e autoritária.

A nossa luta é directa e global, contra todxs xs que nos exploram e oprimem, contra o patrão no nosso local de trabalho, contra o bófia no nosso bairro, contra a lavagem cerebral na nossa escola, contra as mercadorias com que nos iludem e escravizam, contra os tribunais e as prisões imprescindíveis para manter a propriedade e a ordem social.

Não nos revemos no simulacro de luta praticado pelxs esquerdistas, ancoradxs nos seus partidos, sindicatos e movimentos supostamente autónomos. Estes apenas aspiram a conquistar um andar de luxo no edifício fundado sobre a opressão e a exploração, contribuindo para dar novo rosto à miséria que nos é imposta.

Recusamos qualquer tentativa de renovação do capitalismo, engendrada nas cimeiras dos poderosos ou na oposição cínica posta em cena pelos fóruns dos seus falsos críticos. Não tenhamos ilusões. Não existe capitalismo “honesto”, “humano” ou “verde”. A “crise” com que nos alimentam até à náusea não é nenhuma novidade. A precaridade não é só um fenómeno da actualidade, existe desde que a exploração das nossas vidas se tornou necessária à sobrevivência deste sistema hierárquico e mercantil.

Porque queremos um mundo sem amos nem escravos, apelamos à resistência e ao ataque anticapitalista e anti-autoritário. E saímos à rua.
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25 Março 2009

Solidariedade com os trabalhadores da fábrica em autogestão "Disco de Oro" (Argentina)



Jantar de solidariedade com os trabalhadores da fábrica em autogestão "Disco de Oro" de San Martín, Argentina

dia 28 de Março – 20 h

no Centro de Cultura Libertária
Rua Cândido dos Reis, 121, 1º Dto – Cacilhas - Almada
http://culturalibertaria.blogspot.com/

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Artigo publicado no blog dos companheiros argentinos no dia 20 de Março passado:

“Trabalhadores da fábrica Disco de Oro demonstram que não precisam de patrões”

Há alguns dias, os companheiros portugueses deram este mesmo título a um artigo sobre a fábrica “Disco de Oro”.
De facto, graças à força dos operários e operárias da “Disco de Oro”, esta fábrica permanece ocupada pelos mesmos há mais de um mês. E em conflitos deste género, notavelmente, foi a que mais rapidamente começou a produzir.
Já começaram a trabalhar, de forma lenta mas empenhada. Graças às contribuições de trabalhadores de outras fábricas, aos vizinhos que foram os primeiros a comprar mercadoria, à solidariedade internacional dos trabalhadores, ao festival solidário realizado e à contribuição dos companheiros que vêm aguentando a ocupação.
No entanto, os trabalhadores não obtiveram nenhum dinheiro para si. Todo o dinheiro que chega vai directamente para um fundo de produção, que lhes permite não depender de nenhum assistencialismo estatal nem de “investidores” que os queiram voltar a explorar.
Alguns companheiros da F.O.R.A. estavam presentes quando um patrão de outra fábrica do mesmo ramo veio oferecer-lhes uma pretensa ajuda económica, com a promessa de fornecimento de toda a matéria-prima para a produção. Eram claras as suas intenções de apropriar-se da marca (e da fábrica) já que, reiteradamente, apontou o logótipo impresso na porta da fábrica dizendo “Isso sim, é o que importa”. Disse também “Se é por dinheiro, não há problema”, acrescentando que ninguém perderia o seu posto de trabalho e que todos receberiam salário.
Este homem, quando pensava que tinha “comprado” os operários com as suas promessas de dinheiro e bem-estar, ficou perplexo quando os próprios trabalhadores tornaram claro que na fábrica as decisões são tomadas pelos operários e que não querem mais patrões: “A fábrica e a marca são dos trabalhadores e de mais ninguém”.
A coragem destes homens e mulheres é enorme. Estão em luta, não só pelo seu posto de trabalho, como também para demonstrar que o patrão não é mais do que um parasita que lhes suga o sangue, porque eles, entre iguais, conseguem fazer funcionar a fábrica sem ter nenhum burguês à frente. Muitos deles, sem outra saída, estão dispostos a deixar a sua vida defendendo esta luta, que se torna quase impossível em várias ocasiões. Mas com a solidariedade que eles recebem, a sua vitória é possível.
Porque a emancipação dos trabalhadores será obra dos próprios trabalhadores e de nenhum Estado ou vanguarda.

Mariano
Sociedade de Resistência de San Martín - F.O.R.A.
http://socderesistenciasm.blogspot.com/
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12 Março 2009

Argentina: Trabalhador@s da fábrica “Disco de Oro” demonstram que não precisam de patrões

Dos noss@s companheir@s da FORA (Federación Obrera Regional Argentina, Secção Argentina da AIT), chegou-nos um apelo à solidariedade com @s trabalhador@s da fábrica Disco de Oro. Est@s, após terem sido enganad@s e abandonad@s pelos patrões, tentam recomeçar, em autogestão, a produção desta fábrica de massa para empadas e tartes, formando para tal uma cooperativa. As decisões respeitantes a esta luta têm sido tomadas em assembleias horizontais de trabalhador@s. Para conseguirem os seus objectivos, @s operári@s da Disco de Oro precisam de solidariedade económica para poderem comprar as matérias-primas necessárias.

Os fundos angariados devem ser transferidos para a seguinte conta:

Nº 5004098 Banco Provincia de Buenos Aires, em nome de Juan Marcelo Pereña

Para mais informação sobre o conflito na Disco de Oro podem visitar o blog da SROV de San Martin:
http://www.socderesistenciasm.blogspot.com/


Carta d@s noss@s companheir@s da FORA-AIT:

Companheiros,

Somos a Sociedade de Resistência de Ofícios Vários de San Martín, filiada na FORA-AIT. Estamos a acompanhar, desde há um mês, a luta dos trabalhadores da Disco de Oro, uma fábrica de massa para empadas e tartes.

O dono da fábrica deixou os trabalhadores na rua, após o que eles ocuparam a fábrica e agora pretendem começar a produzir para poderem comer, uma vez que o patrão não lhes paga há seis meses. Eles organizam-se numa assembleia horizontal e tomam assim as decisões, sem autoridade. A nossa Sociedade de Resistência está activa na luta desde o primeiro momento junto dos trabalhadores.

É por isso que vos escrevemos a pedir a vossa solidariedade económica, para ajudá-los a começar a produzir como cooperativa de trabalho sem patrão, pois foi a sua decisão e necessitam de comprar matérias-primas para a poderem pôr em prática. Há muitos casos de trabalhadores com mais de 40 anos de casa que, se não puderem trabalhar na cooperativa, ficarão na rua e sem dinheiro para as suas famílias.

Além disto, houve ameaças dos donos. Por isso, quanto mais depressa se conseguir produzir, mais rápida será a recuperação da fábrica por parte dos seus operários.
Qualquer contribuição, por mínima que possa parecer, é muito importante para os trabalhadores.

Os trabalhadores da Disco de Oro precisam da nossa solidariedade económica. Como anarquistas, e como trabalhadores, devemos dá-la.

Um abraço fraternal,

Sociedade de Resistência de Ofícios Vários de San Martín – FORA-AIT




Operários e operárias da fábrica Disco de Oro em luta

Em San Andrés (San Martín), os trabalhadores e trabalhadoras da fábrica de massa para empadas Disco de Oro, após conseguirem parar o esvaziamento da fábrica que os patrões tentaram levar a cabo, decidiram no dia 2 de Fevereiro tomar a fábrica e lutar pelo seu local de trabalho.

Guillermo Ferron, enquanto proprietário da empresa (assim como de negócios escuros e patifarias por todo o lado), e Sergio Godoy del Castillo, enquanto testa-de-ferro e patrão, são os responsáveis que conduziram a fábrica ao encerramento e os operários ao desespero. Começaram a não pagar salários, férias, subsídios e outros pagamentos, há cinco ou seis meses. Pagavam quantias miseráveis aos trabalhadores para mantê-los “tranquilos” ao mesmo tempo que iam reduzindo a produção e a qualidade do produto. Por último, mandaram os trabalhadores para casa, com a desculpa de que a matéria-prima escasseava e de que realizariam reparações nas máquinas para melhorar a produção. Muito pelo contrário, aproveitaram para tentar esvaziar a empresa. Há que somar ainda a isto dois operários acidentados, a meio do ano passado, que não receberam um peso por parte da segurança social, porque o proprietário não pagava as contribuições. É por isto também que, neste momento, há operários e suas famílias que não podem receber cuidados médicos.

Ainda assim, são mais de dez as famílias que, neste momento, lutam por recuperar aquele que é, em muitos casos, o seu único sustento económico, e o trabalho de operári@s que chegam a ter 48 anos de casa. Passam dia e noite a guardar os seus meios de produção, acompanhados por vizinh@s e outros trabalhador@s que se solidarizaram com esta luta. Colocaram em marcha, de acordo com o que foram discutindo nas suas assembleias, a formação de uma cooperativa de trabalho para recomeçar a produção. A raiva que sentiram quando o patronato tentou roubar-lhes o que sempre lhes pertenceu (a sua produção), transformou-se hoje na resistência, na auto-organização e na luta para demonstrar que o trabalhador é capaz de se autogerir sem necessidade de nenhuma sanguessuga que fique com o fruto do seu trabalho, enquanto o olha das alturas com as mão nos bolsos.

Os companheiros da FORA estão aqui para dar-lhes apoio e contribuir enquanto trabalhador@s com a nossa solidariedade activa, sem interesses económicos ou políticos.

Sociedade de Resistência de Ofícios Vários de San Martín
socderesistenciasm@gmail.com
http://www.socderesistenciasm.blogspot.com/



25 Fevereiro 2009

Boletim Anarco-Sindicalista nº 30 - Fevereiro-Março 2009


Versão para net:
- Separata Solidariedade com a Revolta na Grécia (A4, 876 Kb)

Versão para impressão:
- Boletim Anarco-Sindicalista nº 30 (A3, 5 Mb)
- Separata Solidariedade com a Revolta na Grécia (A3, 1,2 Mb)

Neste número do Boletim Anarco-Sindicalista:
- Lutas laborais e despedimentos em Portugal
- “Motim” de Caxias: Linchamento judicial 13 anos depois
- Concentração na Amadora contra a repressão policial, por Kuku e outras vítimas dos mercenários do Estado
- O mesmo de sempre: A “crise” é para os trabalhadores e as camadas mais pobres e marginalizadas da população
- A face escondida da “crise”
- Sócrates e os ricos
- Agitação social na Islândia
- RÚSSIA: Advogado e jornalista assassinados em Moscovo
- CHILE: Assassinato de um jovem anarquista na Comunidade Mapuche Temucuicui
- CNT-AIT convoca greve geral no município de Lebrija (Sevilha)
- 1934 - A revolta dos sindicatos livres contra o fascismo


Separata Solidariedade com a Revolta na Grécia:
- Breve Cronologia
- A Solidariedade é uma Arma
- Nada será como antes, nunca mais
- Declaração da Assembleia de Ocupação da Sede da Confederação Geral dos Trabalhadores da Grécia (GSEE)


24 Fevereiro 2009

“Motim” de Caxias: Linchamento judicial 13 anos depois


23 de Março de 1996: segundo as autoridades prisionais, o governo e os media, desencadeia-se um “motim” na prisão de Caxias. Mas em que consiste este suposto “motim”? Um grupo de presos do Reduto Norte de Caxias, submetidos a insuportáveis medidas de segurança, recusa entrar nas suas celas à noite em protesto contra a sua sobrelotação. Na sequência disto, 180 reclusos, amontoados num espaço reduzido, sem qualquer possibilidade de defesa, são espancados selvaticamente pelos guardas prisionais, seguindo ordens das autoridades prisionais e políticas. Pela madrugada fora, um movimento incessante de ambulâncias e carrinhas celulares verifica-se à porta da prisão. Os feridos são inúmeros, um preso fica cego de um olho devido ao disparo de uma bala de borracha. As feridas emocionais são tão ou ainda mais profundas.

O chamado “motim” de Caxias acontece na sequência de pelo menos dois anos de lutas dos presos, pela melhoria das suas condições de reclusão, por amnistias, por um pouco de dignidade. Greves ao trabalho, greves de fome, cartas e comunicados sucederam-se neste período.

O Director-Geral dos Serviços Prisionais, Celso Manata, e o governo de então, chefiado por António Guterres, fizeram ouvidos moucos às queixas dos presos sobre a situação degradante das prisões, confirmadas pelos relatórios de organizações internacionais, como a Amnistia Internacional, o Observatório Internacional sobre as Prisões ou até mesmo a União Europeia: celas sobrelotadas, maus-tratos aos presos, ausência de condições de higiene e privacidade mínimas, alimentação péssima, assistência médica extremamente deficiente, toxicodependência, alastramento de doenças como SIDA, hepatite ou tuberculose, exploração do trabalho prisional, além da corrupção generalizada envolvendo autoridades e funcionários prisionais. Lembremos que a denúncia destes factos levou inclusive a que o Director dos Serviços Prisionais que antecedeu Celso Manata, o juiz Marques Ferreira, fosse ameaçado de morte pelas máfias instaladas nas prisões.

O factor que fez eclodir novo movimento de luta dos presos, no início de 1996, foi o anúncio de uma amnistia aos presos do processo FUP/FP25 e a primeira negação de uma amnistia presidencial aos outros presos desde o 25 de Abril de 1974. Numa altura em que o movimento dos presos estava em crescendo, por reivindicações que consistiam, na verdade, em que o Estado cumprisse as suas próprias leis, consagradas na Reforma Prisional, esse mesmo Estado respondeu com uma punição exemplar contra os 180 presos do Reduto Norte de Caxias, carregando sobre eles à bastonada, a tiros de bala de borracha e com gás lacrimogéneo.

O processo dos “25 de Caxias” começou desde logo com a acusação do ministro da justiça Vera Jardim contra os “cabecilhas” do movimento. Agora, 13 anos depois, este processo é recuperado pela justiça burguesa, prevendo-se o julgamento para Março de 2009. Punidos fisicamente em Março de 2006, arriscam-se a serem linchados legalmente em 2009, apenas por terem lutado pela sua dignidade.

Em solidariedade foi editada uma publicação gratuita intitulada Presos em Luta: Agitações nas Prisões Portuguesas entre 1994 e 1996, que contém o historial da luta dos presos nestes dois anos, completado com recortes de imprensa e depoimentos vários, e apela à solidariedade com os processados pelo Estado.

Existe um blogue onde se pode ler os textos e fazer o download da publicação em PDF: http://www.presosemluta.tk/

22 Fevereiro 2009

CNT-AIT convoca greve geral no município de Lebrija (Sevilha)

Primeira greve motivada pela crise em Espanha teve adesão de 90%

No dia 18 de Fevereiro, a CNT convocou no município de Lebrija (Sevilha), uma greve geral a favor da criação de uma bolsa de trabalho sob controlo popular, que administre a distribuição dos trabalhos da autarquia, de forma a evitar os clientelismos do PSOE e da UGT e a garantir que existe uma repartição justa do trabalho entre as pessoas que mais precisam, nesta povoação assolada pelo desemprego.

A luta teve início ainda o ano passado, neste município de 26 mil habitantes, após queixas ao sindicato por companheiros que se viam preteridos dos concursos para empregos do Ayuntamiento (Câmara Municipal), por não pertencerem às clientelas do PSOE, partido que governa a autarquia em conjunto com a Izquierda Unida.

O sindicato discutiu o problema e propôs a criação de uma Bolsa de Trabalho sob controlo popular, pela qual teriam de passar as contratações feitas pelo Ayuntamiento, para assegurar uma boa repartição e rotatividade do trabalho, especialmente entre as pessoas com mais dificuldades económicas.

Em 31 de Janeiro, a CNT apresentou a sua proposta numa assembleia convocada na Casa da Cultura do Povo, perante uma assistência de 250 pessoas. Após a assembleia as pessoas deslocaram-se em manifestação até ao Ayuntamiento. No dia seguinte, repetiu-se o mesmo, mas já com 300 pessoas. No dia 6 de Fevereiro manifestaram-se 500 pessoas e no dia 7 de Fevereiro 2500 pessoas!

Face ao não atendimento das reivindicações, a CNT-AIT e o Comité de Cidadãos de Lebrija convocaram uma greve geral no município de Lebrija para o dia 18 de Fevereiro, reivindicando também às empresas o fim dos despedimentos injustificados e arbritários de trabalhadores, assim como a repartição do trabalho, através da eliminação das horas extras e da contratação de trabalhadores.

A greve teve uma adesão que se estima em 90%. A totalidade do pessoal dos supermercados Dia, Lidl, Eroski, Mercadona e Carmela, assim como os padeiros e os bancários aderiram à greve a 100%. O mesmo aconteceu no sector de serviços e construção, nos bares e restaurantes e nas principais obras do município. Os piquetes de greve apenas encontraram em funcionamento uma gasolineira, duas cafetarias e o mercado de abastecimentos composto por umas oito famílias que vendem frutas.

Esta foi a primeira greve realizada em Espanha devido à crise e pela repartição justa do trabalho.
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13 Janeiro 2009

18 de Janeiro de 1934 - Greve Geral Insurreccional contra o Fascismo

18 de Janeiro de 1934 - 75 anos
- Comemoração e Debate


dia 18 de Janeiro de 2009 (domingo)

13 horas – Convívio e petiscos
15 horas – Debate


no Centro de Cultura Libertária
Rua Cândido dos Reis, 121, 1º Dto. – Cacilhas – Almada

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1934 - A revolta dos sindicatos livres contra o fascismo

18 de Janeiro de 1934 foi a data escolhida pelo movimento operário livre para a greve geral insurreccional destinada a impedir a construção do regime fascista de Salazar. Este movimento foi impulsionado sobretudo por militantes anarquistas e anarco-sindicalistas, organizados na Confederação Geral do Trabalho, e integrado por muitos outros operários de diversas tendências.

O objectivo desta revolta foi derrubar o regime de Oliveira Salazar e impedir a fascização da sociedade portuguesa, impedindo a aplicação do Estatuto do Trabalho Nacional, com o qual Salazar pretendia acabar com os sindicatos livres e revolucionários, transformando-os em organismos submissos perfeitamente integrados na organização corporativa do Estado Novo.

A insurreição de 18 de Janeiro de 1934 levou a greves, múltiplas sabotagens e inclusive à famosa tomada da vila da Marinha Grande por operários. A revolta não pôde triunfar, mas significou o último grande acto de resistência do movimento anarco-sindicalista organizado. Um acto de dignidade pago com prisões, torturas e deportações de centenas de militantes.

Conhecer, discutir e comemorar esta data significativa da história das lutas emancipatórias em Portugal é prestar homenagem a todas essas pessoas que arriscaram a vida pela liberdade. Significa também que nos queremos reapropriar da nossa história e memória enquanto movimento libertário, recusando activamente a longa tradição de submissão e “brandos costumes” ensinada nos livros de história e que constitui a memória oficial do Estado.

Conhecer e discutir as lutas do passado significa então também lançar as bases para a teoria e para as práticas de agora, porque a longa noite do fascismo se estendeu muito para além do 25 de Abril de 1974, na cultura e nas instituições portuguesas, inclusive nas “contestatárias”, como os sindicatos actuais que continuam a prolongar o modelo corporativo dos sindicatos nacionais.

Por tudo isto, e o que mais quiserem trazer à discussão, contamos convosco no dia 18 de Janeiro.


Associação Internacional d@s Trabalhador@s – Secção Portuguesa
http://ait-sp.blogspot.com/


Conversa sobre a situação dos detidos de 11 de Novembro em França - 16 de Janeiro - 21h - Almada

No passado dia 11 de Novembro, depois duma operação policial com 150 polícias antiterroristas, 1 helicóptero, cães-polícias, e também dezenas de jornalistas, foram detidas vinte pessoas em quatro locais da França (Paris, Rouen, no Este, e numa pequena aldeia do centro chamada Tarnac, onde algumas delas moram numa quinta comunitária), tendo ficado 10 detidas para interrogatórios. Presentemente 9 pessoas estão a ser acusadas, sem provas, de “associação de malfeitores” e “terrorismo” por alegadas sabotagens nas linhas do T.G.V, permanecendo duas em prisão preventiva.
A questão de Tarnac não é um erro judicial. Não somente, pelo menos. É uma ilustração, a mais flagrante por ser a primeira, daquilo que se tornou a lei no momento do antiterrorismo. Quando o estado de excepção deixa de ser uma profecia para se tornar efectiva e visivelmente o regime em que vivemos. E claro que o facto de serem acusados de “terrorismo” faz parte de uma estratégia estatal para os isolar e os separar do resto da sociedade. Quem deseja apoiar pessoas que querem espalhar o terror? É, também, uma maneira de alimentar ainda mas o medo estrutural relativamente ao mundo do Capital e de aparecer como o único protector. “Não tenham medo dos terroristas (ou dos imigrantes, dos jovens, dos sem tecto, dos ladrões…), estamos aqui para vos proteger”, diz o Estado. Nos tempos actuais, quando a democracia já não faz sonhar muita gente, perante a ideia de que o principal objectivo da vida seja trabalhar e comprar mercadorias – o que já vem sendo questionado tanto na teoria como na prática – quando a crise já não é só económica mas também ecológica, ética, social – para usar o vocabulário da sociologia – e parece cada vez mas incontrolável, o Estado tem de apertar o controlo sobre pessoas à sua volta.
Por toda a França e em outros países, foram criados comités de apoio. Existe uma proposta do comité de apoio de Tarnac (www.soutien11novembre.org) no sentido de organizar durante dez dias, de 15 a 25 de Janeiro, o máximo de iniciativas, concertos, projecções, debates, com o objectivo de não deixar esta questão cair no esquecimento, para que sejam reavaliadas as acusações que pesam sobre os nossos companheiros e também para que sejam libertados os que se encontram presos. Isto permitirá igualmente anunciar e preparar uma grande manifestação nacional para dia 31 de Janeiro, em Paris.

Debate/conversa sobre a situação dos companheiros franceses acusados de terrorismo por alegadas sabotagens nas linhas do T.G.V.

16 Janeiro, 21h, no Centro de Cultura Libertária

Centro de Cultura Libertária
Rua Cândido dos Reis, 121, 1º Dto. - Cacilhas - Almada

Actividades de solidariedade noutros locais:

15 Janeiro - 21h - Conversa informal na COSA, Setúbal
(Rua Latino Coelho, nº2 cosanossa@gmail.com)

21 Janeiro – 21h30 - Conversa na Livraria Gato Vadio, Porto
(Rua do rosário, 281 – Porto - http://gatovadiolivraria.blogspot.com/)
24 Janeiro – 13 h - Almoço/Conversa + 16H - Concerto na Casa Viva, Porto
(Praça Marquês Pombal 167 – Porto - http://www.casa-viva.blogspot.com/)


12 Janeiro 2009

Mais um jovem negro e pobre assassinado pela polícia

(comunicado da Plataforma Gueto acerca do assassinato pela polícia de um jovem de 14 anos, Elson Sanches ‘Kuku’, na Amadora)

A plataforma Gueto não pode deixar de denunciar mais uma execução sumária, com pena de morte, dum jovem negro por parte da polícia, e um julgamento injusto feito no tribunal dos media, que condenou o nosso irmão e absolveu mais um assassino.

Uma perseguição policial do passado domingo, 4 de Janeiro às 21h, ditou a morte de Kuku, com apenas 14 anos.
Segundo a versão "oficial" de fontes policiais os agentes identificaram o carro furtado, onde seguiam 4 jovens, no bairro de Santa Filomena. Por não terem respeitado a ordem para parar, a polícia iniciou uma perseguição que só acabou no bairro da Quinta da Lage quando os jovens abandonaram o carro e continuaram a fuga a pé. Depois de terem disparado tiros para o ar, a polícia alega que Kuku, que foi o último a sair da viatura, apontou uma arma de calibre 6.35 a um agente, tendo este, em legítima defesa, disparado um tiro que o feriu mortalmente na cabeça. Outro irmão foi ainda atingido com uma bala na perna.

Ainda na sua versão oficial a polícia declara que o agente não atirou para a matar. Quem não quer matar não aponta uma arma à cabeça, portanto a intenção do agente era matar ou teria apontado a outra parte do corpo.

Na manhã seguinte os media iniciaram a sua propaganda, usando apenas as fontes policiais, para sujar a imagem do jovem e legitimar a acção do polícia, alegando que se tratava de um jovem referenciado por crimes violentos.
Com esta propaganda os media conseguiram transmitir a ideia de se tratar dum jovem violento que era uma ameaça para os agentes, e para a sociedade, bem como glorificar a polícia por mais uma "missão cumprida": assassinar um negro.

Como se não bastasse a idade de Kuku, 14 anos, para que este não pudesse ser considerado um criminoso violento, o mesmo foi referenciado como tal apenas por furtos, dos quais não resultou nenhuma condenação. Ainda que tal tivesse acontecido, em nenhum dos casos houve uso de violência. Tendo em conta aquilo os media têm propagandeado nos últimos meses como "criminalidade violenta" só prova que esta usa e abusa de tais critérios sem nenhum rigor para operar a sua propaganda racista e continuar a fomentar o medo dos imigrantes seus descendentes na opinião publica.

Segundo os jovens envolvidos na fuga, o carro em que seguiam já tinha sido furtado anteriormente, tendo estes, sabendo que estava abandonado, aproveitado o facto para nele se dirigirem ao bairro de Santa Filomena onde iam ver um jogo de futebol. Os mesmos disseram ainda que Kuku não trazia nenhuma arma consigo.
Tal como os restantes ocupantes do carro, vários amigos que estiveram com Kuku naquele dia, negam tê-lo visto com qualquer arma, e acrescentam ainda que nunca viram Kuku armado quer com faca, quer com pistola, e duvidam bastante que ele fosse capaz de apontar uma arma a outra pessoa e muito menos a um agente "Kuku era um puto... ainda que tivesse uma arma, jamais a apontaria a um bófia". Eles descrevem-no como "calado, tranquilo, talvez até um pouco tímido".

Estes afirmam ainda que Kuku estava marcado desde um episódio em que, logo após acordar, e tendo dormido em casa, foi abordado pela polícia na sua porta, alegadamente por ter sido visto a conduzir um carro roubado nessa madrugada. Indignado negou qualquer relacionamento com o que quer que fosse que tivesse ocorrido naquela madrugada e ao ser agredido e arrastado pelo chão Kuku resistiu à detenção apelando aos seus direitos. A sua resistência originou ainda mais agressividade da polícia. Kuku tentou resistir e só a intervenção da mãe e outros familiares demoveu os agentes de quaisquer que fossem as suas intenções.

Kuku foi julgado e executado pela polícia à semelhança de Angoi, Tony, Tete, Corvo, PTB, etc. Nos últimos meses vários irmãos foram perseguidos e agredidos nas ruas, nas carrinhas e dentro das esquadras. Este não foi um acidente, nem um acto isolado, foi o desfecho que já esperávamos. Destes assassinatos e agressões nunca resultou uma única condenação. Pelo contrário a polícia têm sido aplaudida pelo Ministro da Administração Interna e pela opinião pública manipulada, pela propaganda racista dos media. Resta uma conclusão: face a esta impunidade a polícia tem "luz verde" para matar jovens negros em Portugal. Já não acreditávamos que fosse feita qualquer justiça nos tribunais mas agora sabemos mais que isso.
Num país que nem aplica a pena de morte, até um "criminoso violento" teria direito a um julgamento antes de ser executada qualquer pena. Mas para nós negros, a pena de morte está em vigor e a "justiça" não é lenta, é veloz feita na hora pela polícia. O nosso julgamento é feito todos os dias na imprensa matinal e no noticiário das oito.
Apelamos à mobilização de tod@s os irm@s contra a violência policial, a propaganda racista e contra a opressão autoritária. Se a impunidade, o conformismo e o silêncio continuarem os assassinatos continuarão também.

Apelamos também ao apoio à realização dum funeral digno para Kuku na compra do Cd dos Mentis Afro, duma T-shirt do Kuku, ou através de donativo para o NIB 0010 0000 27703050 0022 0. Para mais info escrevam para o mail indicado em baixo.

Plataforma Gueto. Sem Justiça não haverá Paz.

Plataforma.gueto@gmail.com
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08 Janeiro 2009

Novos cartazes da AIT - Secção Portuguesa








15 Dezembro 2008

Boletim Anarco-Sindicalista nº 29 (Dezembro 08 - Janeiro 09)

O Boletim Anarco-Sindicalista nº 29 em PDF pode ser descarregado aqui:
- versão net (A4, 3 Mb)
- versão para impressão (A3, 3,1 Mb)

Alguns artigos neste número:
- Lisboa: mais de 1000 pessoas contra onda xenófoba e Pacto Sarkozy
- Pastelaria Lua de Mel fecha e PSP agride trabalhadores
- Quanto valem 25 Euros em polémicas?
- Os Professores em Luta
- Manter a Autonomia das Lutas no Ensino!
- “Autonomia das escolas”
- Programa Simplex: Despedimento de professores por SMS???
- Economia, a impunidade na continuidade
- Fim do Socialismo capitalista. A revolução de Outubro de 2008 do capitalismo.
- Repressão Estatal na Sérvia
- Solidariedade com os trabalhadores do Ikea de Brescia (Itália)
- Repressão contra sindicalistas no Bangladesh
- Espanha: Manifestações contra o Plano Bolonha e a privatização da educação
- Itália: Contestação às reformas educativas de Berlusconi
- Sistema judicial norte-americano persiste em assassinar Mumia Abu-Jamal
- Grécia: Greve de fome juntou 10 000 pres@s
- Solidariedade com os detidos de 11 de Novembro em França
- Porto: Julgamento de quatro activistas sociais por “difamação” do SEF
- Nova Ofensiva fascista contra o preso Amadeu Casellas e seus advogados